Le Tour de Vaqué: 3 barbudos, 1 carro-vaca e 4.000 Km

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A vida é mais legal quando nos colocamos à prova. Quando pensamos dessa forma, a primeira coisa que vem à mente são experiências extremas, gente no bungee jump se jogando de penhascos, pulando de para-quedas da estratosfera e outras bizarrices que parecem sair de um comercial de energético. 

Mas se colocar à prova pode ser menos chamativo e mais complexo do que aparenta. Mais que isso, se testar constantemente é uma forma sincera de se relacionar consigo mesmo. Se por um lado é muito mais cômodo e seguro investir nosso tempo em opções comuns, por outro, as ideias incomuns e difíceis podem resultar em grandes experiências e histórias que te acompanham por muito tempo. 

Meu nome é Max. Não sou um cara radical. Não sou um cara dos esportes. Não tenho Instagram com milhares de seguidores e nem sou referência em lifestyle. A única coisa que eu faço, volta e meia, é testar até onde vão certas ideias.

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Tive chefe por pouco tempo. Nunca planejei isso, muito menos procurei por isso, mas foi como as coisas aconteceram. Há anos sem chefe eu aprendi que se eu não me cobro, ninguém me cobra. Uma atitude que, depois de muitas cabeçadas, vai se ajustando e acaba contribuindo tanto no universo profissional como pessoal. Já fui diretor de arte, já participei de start up, já trabalhei com eventos, já tive minha agência de publicidade, já tive um carro-vaca... Pois é, sempre vendo o que acontece quando se tira uma ideia do papel.

Acredito que a gente passe a vida toda em dois modos: contando histórias ou criando histórias. O episódio do carro-vaca nasceu em uma época onde criar novas histórias era prioridade para mim.

Final de ano. Réveillon. Enquanto as pessoas decidiam qual casa de praia alugar, qual viagem internacional iam fazer, qual hotel do Booking era melhor, eu não tinha pensado em nada. Sempre achei roubada sair de São Paulo para pegar trânsito e pagar o dobro em qualquer coisa num lugar pega-turista.

Preocupado em fazer algo inédito, comecei a conversar com alguns amigos. Um deles em especial tinha a mesma preocupação. Mais que isso, tinha uma vontade legítima de ter uma experiência boa, acima de qualquer necessidade vazia de viajar para postar foto com hashtag “gratidão”. E esse é o Luis.

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Depois de pensar no que fazer, o Uruguai apareceu como opção. Não é perto, não é longe. Falaram bem de umas praias por lá. O Google mostrou que as pessoas tinham razão. Ok, então decidimos ir. 

Como? Avião é para os fracos. Comprar uma Kombi e ir sempre foi uma ideia que durava 30 segundos, e acabava desmoronando depois da lembrança de que nenhum dos dois é mecânico. Então ir com um dos carros que já tínhamos era o mais realista a se fazer. O meu era mais novo e teoricamente mais adequado pra embarcar nessa. Mas qual é a graça de viajar até outro país em um Fiat Uno branco? Isso precisava ser mudado.

Depois de algumas cervejas, lembrando de filmes como Debi & Loide, concordamos: o Uno sendo branco poderia se transformar em várias coisas legais, como uma orca, um panda, uma zebra ou uma vaca. A vaca ganhou. Ninguém desgosta de vacas.

Mas pra que ir de vaca? Essa resposta nunca existiu. Por que não uma vaca? Esse era obviamente um grande quebra-gelo de 800kg que serviu como meio para conhecermos pessoas pelos 4.000 km de estradas que estavam por vir. A ideia deu bastante certo dentro e fora do Brasil. Pessoal dava tchau, as crianças apontavam e pediam um igual para os pais, tinha gente que mugia, tirava foto, pedia carona. Até as vacas de verdade interagiam, porque alguém levou um MP3 com uma hora de mugidos. Além da vaca, tivemos a adesão de mais um amigo, Duda, que foi de moto seguindo o mesmo trajeto.

A viagem nunca teve um roteiro, nunca teve reservas. A única meta era chegar a Montevideo e voltar. Se possível conhecer as praias que as pessoas citaram e o Google Images nos mostrou. E então partimos, logo depois do Natal.

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Descemos todo o litoral brasileiro, começando a viagem pela estrada da Graciosa. Passamos por Morretes, praticamos um bóia-cross assassino (meu máximo em esportes radicais), continuamos por Matinhos, Guarda do Embaú, Imbituba, Laguna, Farol de Santa Marta, Xangri-la, São João do Norte, Rio Grande e então cruzamos o Chuí.

Depois de cruzar a fronteira passamos alguns dias em Punta Del Diabo, onde rolou uma festa de réveillon inusitada e então seguimos para Punta Del Este e Montevideo. Na volta para o Brasil seguimos no Uruguai pelo Forte de Santa Teresa, cruzamos a fronteira, partimos para Pelotas, Porto Alegre, Cambará do Sul e seus canyons, Serra do Rio do Rastro, Bom Jardim da Serra, Curitiba, Riviera de São Lourenço e enfim São Paulo novamente.

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Foram 15 dias de viagem, vários hotéis, hostels, pousadas, casas, campings, muita gente nova pelo caminho e um conjunto de histórias que só existem porque fizemos algo fora do comum acontecer. A vaca fez diferença? Sim, muita. Não era um carro-vaca, era o começo de uma conversa.

Essa vontade de fazer as coisas foi fundamental nessa história. O exercício de sair de um padrão ou de testar novidades é complexo, mas tem que ser constante, seja na vida pessoal ou profissional. Assim a vida é mais viva, sempre.

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Sobre o autor: Max Wohland (@max_wohland) é consultor de comunicação e branding e sócio da Garagem 53. Fez o Le Tour de Vaqué em 2014 e pretende retomar essa road trip em 2017, com o Atacama como destino. Você pode acompanhar a viagem aqui. 


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